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Famílias à beira da bancarrota
Quarta, 06 Janeiro 2010 19:29

É cada vez mais elevado o risco de existirem famílias falidas em Portugal. O alerta é do economista João César das Neves, na reacção ao aumento de pedidos de ajuda à Deco por parte de famílias endividadas.

No último ano, o número de pedidos de auxílio aumentou 40% - um dado avançado esta manhã pela Renascença e que o economista teme que, associado ao previsível aumento das taxas de juro, possa traduzir-se na falência financeira de muitas famílias, como já acontece noutros países ocidentais (caso dos Estados Unidos).

O crédito pessoal está a ganhar terreno no somatório das dívidas, sobretudo em comparação com o endividamento resultante da compra de casa.

Espírito consumista vs crise

A psicóloga Cristina Sá Carvalho considera que os consumidores não mudaram os seus valores, no que toca a compras, nestes tempos de crise económica.

Nas vésperas do Natal, os levantamentos de dinheiro no multibanco bateram novos recordes. Só no dia 23 de Dezembro, os portugueses movimentaram 380 milhões de euros. Seguem-se agora mais compras, aproveitando mais uma época de saldos.

São crescentes as dívidas dos portugueses aos bancos e também nas lojas. Na maioria dos casos, são despesas de primeiras necessidades, mas também é elevada a procura de produtos supérfluos e, para muitos comerciantes, a venda a fiado é agora um péssimo negócio.

É também uma questão de mentalidade, que resiste a mudar no nosso país, considera a psicóloga, para quem a crise e “o drama do desemprego” não levou à mudança de hábitos de consumo.

Esta é também a realidade descrita à Renascença por Margarida Neto, psiquiatra e antiga coordenadora nacional para os assuntos da família. A especialista considera haver um descontrolo nos gastos, assumido por alguns dos seus pacientes.

Muitos portugueses ainda não perceberam a urgência da poupança e, na leitura do economista Jorge Braga de Macedo, antigo ministro das Finanças, o endividamento do Estado constitui um mau sinal para as famílias: se o Estado for menos despesista, é mais provável que os portugueses compreendam melhor a necessidade de poupar.

Braga de Macedo sublinha, contudo, que, neste quadro de juros baixos, o ministro das Finanças não tem grandes meios para controlar os gastos das famílias.